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Como mitigar as perdas por deriva nas aplicações de produtos fitossanitários?

Maickon Balator – Gerente da linha de adjuvantes Grupo Vittia

Com o intuito de garantir a segurança alimentar da população mundial nas próximas décadas, a utilização e aperfeiçoamento de novas tecnologias na agricultura são de suma importância para atingir esse objetivo.

Em relação a proteção de plantas, a tecnologia de aplicação exerce papel essencial na melhoria das pulverizações dos produtos fitossanitários. 

Um dos grandes desafios é aliar eficiência das aplicações com rendimento operacional. Contudo, durante o processo de pulverização temos vários obstáculos até a planta absorver os defensivos agrícolas e fertilizantes foliares.

Segundo Matuo (1998), a tecnologia de aplicação de produtos fitossanitários, é o emprego de todos os conhecimentos científicos que proporcionem a correta colocação do produto biologicamente ativo no alvo, em quantidade necessária, de forma econômica, com o mínimo de contaminação de outras áreas.

As perdas de defensivos agrícolas por deriva é um dos grandes problemas na agricultura mundial, tendo em vista o risco da contaminação ambiental, dos seres humanos e também pela perda da eficiência dos produtos no controle das pragas, doenças e plantas daninhas.

A deriva está relacionada com condições climáticas desfavoráveis à aplicação aliado a técnica de aplicação adotada, em especial o espectro de gotas. Quanto menor o espectro de gotas (menor o DMV das gotas) maior será o risco de deriva.

Um dos melhores exemplos da deriva causando problemas significativos na agricultura foi observado na pulverização do herbicida Dicamba em pós emergência sobre variedades tolerantes de soja e algodão, desde o lançamento dessas variedades em 2016 nos Estados Unidos. Relatos apontam que cerca de 1,4 milhões de hectares de soja sensível ao herbicida no Centro-sul e Centro-oeste dos Estados Unidos foram prejudicados pela aplicação do Dicamba em 2017.  Embora os relatos não tenham sido tão altos em 2018, ainda havia mais de 400.000 hectares com sintomas de aplicação de Dicamba.

Como mitigar as perdas por deriva nas aplicações dos produtos fitossanitários ?

Aplicar se possível nas melhores condições meteorológica, tais como, velocidade do vento entre 3 a 10 km/h, umidade relativa do ar acima de 55% e temperatura do ar abaixo de 32° C.

Reduzir a altura da barra em relação ao alvo biológico, desde que não comprometa a uniformidade de aplicação. 

Trabalhar com velocidade do pulverizador adequada ao terreno, evitando altas velocidades, pois quanto maior a velocidade, maior será a pressão e consequentemente menor o DMV das gotas e com isso maior será o risco de deriva.

Evitar altas pressões de trabalho, pois conforme o último parágrafo, altas pressões aumentam a produção de gotas de menores diâmetros, aumentando o risco de perdas por derivas.

Selecionar pontas de pulverizações que proporcionem gotas ultra grossas com baixa porcentagem de gotas menores que 100 micrometros para os herbicidas auxínicos, tais como, 2,4 D e Dicamba. Esta é uma estratégia essencial para reduzir o risco de fitotoxicidade em áreas sensíveis a estes herbicidas. 

Para aplicações de inseticidas e fungicidas é essencial termos uma excelente cobertura na superfície foliar, em especial no terço médio e inferior da cultura, local onde ocorre o início da infecção das doenças, devido ao micro clima proporcionado pela cultura nas fases reprodutivas, com isso se faz necessário a escolha correta de pontas de pulverização que produzem gotas médias a finas. Estes espectros de gotas serão mais sensíveis às perdas por deriva, com isso, para estas classes de produtos o produtor deverá ter maior atenção quando utilizar este espectro de gotas para não reduzir a eficiência biológica destes produtos. 

E por fim, como estratégia de mitigar as perdas por deriva, temos os adjuvantes para uso agrícola que exercem um papal fundamental para melhorar a eficiência biológica dos produtos fitossanitários e fertilizantes foliares. 

Como definição, os adjuvantes são substâncias ou compostos sem propriedade fitossanitária, que são adicionados (exceto a água) numa preparação agrícola, para aumentar a eficiência ou modificar determinadas propriedades da solução, visando facilitar a aplicação ou minimizar possíveis problemas. Significa um ingrediente que melhora as propriedades físicas de uma mistura. Estes adjuvantes podem desempenhar várias funções distintas (KISSMANN, 1997).

Segundo Vargas e Roman (2006), os adjuvantes são divididos em dois grupos: os modificadores das propriedades de superfície dos líquidos (surfactantes, espalhante, umectante, detergentes, dispersantes e aderentes, redutores de deriva, entre outros) e os aditivos (óleo mineral ou vegetal, sulfato de amônio e ureia, entre outros) que afetam a absorção devido à sua ação direta sobre a cutícula.

Os adjuvantes redutores de deriva possuem como principal função reduzir a porcentagem de gotas muita finas (abaixo 100 micrometros) e aumentar o DMV reduzindo as perdas por deriva.

É muito importante consultar o fabricante dos adjuvantes para entender o comportamento do seu produto com a ponta de pulverização que o produtor utilizará em suas pulverizações. Pois há inúmeras interações com o tipo da ponta e da aplicação (aérea ou terrestre) com os diferentes tipos de adjuvantes no mercado.

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